A Câmara dos Deputados aprovou com ampla maioria a extensão da licença-paternidade de 5 para 30 dias para todos os trabalhadores com carteira assinada — uma mudança histórica que coloca o Brasil entre os países com as políticas de paternidade mais avançadas do mundo.
Por que 30 dias importam
Pesquisas de psicologia do desenvolvimento mostram que os primeiros 30 dias de vida de um bebê são cruciais para o estabelecimento do vínculo paterno — e que pais que passam esse período junto aos filhos são mais presentes e participativos ao longo de toda a infância. A licença curta atual (5 dias) chegou a ser chamada de “licença de visita”.
“Cinco dias são suficientes para trocar fraldas. Trinta dias são suficientes para ser pai”, disse a deputada relatora do projeto, que ela mesma co-elaborou com base em sua experiência como psicóloga antes de entrar na política.
O impacto na igualdade de gênero
Especialistas em políticas de gênero destacam que a licença-paternidade estendida é uma das políticas mais eficazes para reduzir a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Quando os pais também ficam em casa no início da vida do filho, a mulher consegue retornar ao trabalho mais rapidamente e com menos interrupção na carreira.
A reação do mercado
Pequenas empresas manifestaram preocupação com o custo, mas economistas apontam que o benefício econômico de longo prazo — mulheres mais produtivas, famílias mais estruturadas, crianças mais saudáveis — supera amplamente o custo da medida.


