O Museu do Louvre, em Paris, um dos mais importantes do mundo, abriu uma exposição permanente em homenagem à cantora Elza Soares, falecida em 2022. A mostra, intitulada “Elza — A Voz do Brasil”, celebra sua trajetória de resistência, arte e humanidade e recebeu 500 mil visitantes no primeiro mês.
Uma vida de lendas
Elza Soares nasceu na favela da Moça Bonita, no Rio de Janeiro, em 1930, em extrema pobreza. Casou-se aos 12 anos para fugir da miséria, teve filhos precocemente, perdeu um filho para a desnutrição e sobreviveu a violência doméstica. Da dor, fez arte — uma arte que inspirou e continua inspirando gerações.
Sua voz foi descrita pelo músico Vinicius de Moraes como “a voz do milênio”. A frase se provou profética: Elza cantou e inovou até poucos dias antes de sua morte, aos 91 anos, gravando seu último álbum em 2022 que recebeu três indicações ao Grammy Latino.
Por que o Louvre
A curadoria da exposição foi proposta por um grupo de pesquisadores brasileiros e franceses que estudam a influência da música afro-brasileira no movimento cultural global. “Elza Soares é tão importante para a história da música quanto Édith Piaf é para a França. O Louvre reconheceu isso”, disse a curadora.
O legado que continua
No Brasil, a exposição gerou movimento para batizar o Teatro Municipal do Rio de Janeiro com o nome de Elza Soares — projeto que tramita na Câmara Municipal e tem apoio de artistas de todos os gêneros musicais.


